Cinema no Largo: A música de Miguel Mocho para curtas sobre trabalho

Músico de mil ideias e ofícios, Miguel Mocho poderia ter sido encontrado numa encruzilhada, qual Robert Johnson, de guitarra às costas e harmónica no bolso.

No cinema, o trabalho é sempre material cinético. No contexto do cinema cómico, é também pretexto de riso, com piadas e gags a sucederem-se a ritmos por vezes alucinantes. Os gestos de trabalho, desde pôr a mesa até pregar um prego ou entregar uma carta podem ser a génese de uma cadeia interminável de números, caretas e olhares que nos desafiam ao espanto e nos obrigam tantas vezes a rir.

Mas o trabalho de que aqui se quer também falar não esquece as suas circunstâncias humanas. Trabalho como transformação, como valor, como processo cultural, propunha Hannah Arendt. E, enquanto circunstância humana, trabalho e condições de género, trabalho e condições (de exploração) económica(s). Por isso escolhemos para a sessão este alinhamento: pequeno desfile de curtas documentais sobre a condição da classe trabalhadora entre os séculos XIX e XX na Europa.

Segue-se uma curta com figuras femininas no mundo do trabalho. Protagonizada por uma dupla de actrizes, que dão corpo a dinâmicas cómicas e ao modelo de estrelato de pares (que celebrizou tantas outras duplas, como por exemplo Bucha-Estica), a curta tem ainda o mérito de reinventar os números, explorando as tonalidades femininas do cómico e do humor.

Por fim, regressa ao Largo Buster Keaton com "O ferreiro", uma incursão no mundo das profissões, das competências e da argúcia, magistralmente interpretado pelo ‘homem que não ri’. E as propostas musicais com que Miguel Mocho e seus companheiros dialogam com os filmes são, também elas, a evidência de um trabalho. E de um prazer. Nosso. Vosso!

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Miguel Mocho

Miguel Mocho

Músico de mil ideias e ofícios, Miguel Mocho poderia ter sido encontrado numa encruzilhada, qual Robert Johnson, de guitarra às costas e harmónica no bolso. Bluesman nato, fala uma linguagem sulista com os dedos e carrega o deserto nas suas veias. Junto a Zé Sapo, baixista e violoncelista com muitos quilómetros de palco, e a Rui Gonçalves, baterista com técnica apurada e expressividade únicas, formam um power trio capaz de encontrar um equilíbrio sonoro entre as planícies alentejanas e o deserto americano, entre o seu trabalho enquanto músicos e as imagens em movimento que vão ser projectadas.

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17 de Julho
22h00
Largo de São Vicente
Évora