Henriqueta, uma cartografia íntima

A casa de Henriqueta vai ser reabilitada para ter condições mínimas de habitabilidade e é em torno da transformação da sua casa, na Rua do Cano 75 em Évora, que surge esta prática documentada por Susana Mourão e Marta Lucas, de 19 de Julho a 11 de Agosto.

As cidades actuais vivem em função de um passado, presente e futuro através do seu planeamento prospectivo. Este planeamento prospectivo é fruto de uma cultura tecnológica, que valoriza o tempo futuro e operatório das mudanças nas cidades, e esquece o tempo existencial de como as cidades vivem e sentem o seu tempo.

À procura deste tempo existencial para esta prática documentada, Henriqueta Vieira Santos aceitou este desafio. Henriqueta é uma pessoa real, que nasceu no dia 5 de Junho de 1931, na Rua do Cano 75, em Évora. Desde esse dia, este lugar protegeu e foi protegido por Henriqueta. Em 2007, aos 77 anos de idade, ela vai mudar-se pela primeira vez da casa onde nasceu e sempre viveu.

A casa de Henriqueta vai ser reabilitada para ter condições mínimas de habitabilidade. Em torno da transformação desta casa, na Rua do Cano 75 em Évora, no seguimento de projecto de arquitectura, esta prática documentada centra-se no tempo emocional de Henriqueta, o modo como ela vive e sente o tempo de transformação da sua casa, o lugar que ela sempre cuidou.

Henriqueta ao aceitar este desafio, transformou esta prática documentada numa experiência emocional pela sua cartografia íntima, através da poética da sua casa: o lugar onde os seus móveis, utensílios, roupas e objectos, perdem a sua função e o seu uso, mas nunca a sua função de viver, de recordar, de sentir.

Prática documentada
Instalação video

Realização: Susana Mourão
Co-realização: Marta Lucas

2007-2012

Susana Mourão

Susana Mourão

Licenciada em Sociologia pela UE, pós-graduada em Design Ambiental Urbano pelo CPD/UB, frequentou o mestrado em Design Urbano na UB. Trabalha em vídeo desde 1999 para a produção de documentos em investigação social, em torno das questões do lugar, tais como “Todos os Nomes menos Nacionalismo” 1999, “Isto não é uma utopia” 2000, “Imagens ]ex[clusivas” 2007, “Pátio Alcaçarias 10” em realização com Marta Lucas, 2012 “Participação com rosto” em pós-produção.

Para além da produção de documentos, surgem novas formas visuais, em trabalhos
colaborativos com Projecto Chão, como “dar o nó”, poema visual sonoro, inserido no Festival Escrita na Paisagem 2009, “Balunar” instalação audiovisual em colaboração com Jorge Mantas em 2010 na Galeria Lobo Mau e Museu de Évora – Escrita na Paisagem, no Festival MadeiraDig 2010 em colaboração com The Beautiful Schizophonic. Em 2011, “Macchina d’Autunno” e 2012 “Calyfornia” em colaboração com Jorge Mantas.

Marta Galvão Lucas

Marta Galvão Lucas

Licenciou-se em escultura pela FBAUL em 1997. Em 2001/02 frequentou a pós-graduação em design urbano do Centro Português do Design em parceria com a Universidade de Barcelona. Em 2003/04 concebeu e coordenou com Daniela Brasil o evento Em Trânsito, numa iniciativa do Goethe-Institut Lissabon. Em 2008 ajudou a fundar o projecto colectivo Chão, de ocupação temporária de espaços urbanos devolutos, que contou até hoje com intervenções em Lisboa e Évora. Em 2011, após ter trabalhado na empresa SECLA (2005/09), estabelece nas Caldas da Rainha o Estúdio, dedicado ao desenvolvimento de peças cerâmicas a partir do trabalho conjunto com os núcleos cerâmicos portugueses de criação e fabrico. Num prolongamento deste projecto a Lisboa, dedicado a edições impressas, prepara em parceria com a editora e livraria Letra Livre a publicação portuguesa da obra “O direito à cidade”, escrita em 1967 por Henri Lefebvre. Desde 2002 tem apresentado trabalhos em suporte vídeo individualmente ou em colaboração com vários artistas em Portugal, Bélgica, Holanda e Alemanha.

19 de Julho a 5 de Agosto

Terças e quartas 19:30

Quintas, Sextas e Sábados 21:30

Sempre com a presença da autora

Largo de São Vicente, nº8
Évora